Cachoeira Dourada MG
Município de Cachoeira Dourada
Localizado no Pontal do Triângulo Mineiro o Município de Cachoeira Dourada de Minas faz divisa com o Estado de Goiás e é banhado pelo Rio Paranaíba.
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História
HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE CACHOEIRA DOURADA
“Cachoeira Dourada! Como é solene a voz da catarata! Ela rumoreja em sonhos premonitórios, arremedos de todos os ruídos do movimento e do trabalho. Tem o fragor dos dínamos e dos geradores; resfolega como as locomotivas. Ronrona como os fusos, retine como as oficinas e entoa todas as ressonâncias onomatopáicas dos motores e dos maquinismos”. Camilo Chaves Caiapônia, 2ª Edição – pág. 286
PRÉ HISTÓRIA
Cachoeira Dourada possuía uma das mais belas cachoeiras da região, dotada de beleza natural rara. Ali vários peixes subiam para a piracema. Muitas matas com uma rica fauna e flora. Pedreiras de basalto e arenito completam o cenário propício para a instalação de comunidades pré-históricas.
Os primeiros habitantes noticiavam a descoberta de artefatos líticos e cerâmicos, que comprovam a existência de povos primitivos sobre o solo de Cachoeira Dourada.
Na Construção da Usina Hidrelétrica na cidade na década de 50, várias urnas mortuárias indígenas (igaçabas) foram encontradas às margens do Rio Paranaíba, sendo uma guardada e preservada pelo sr. José Ferreira de Menezes, sendo testemunha de um cemitério indígena no local. Infelizmente os artefatos arqueológicos não foram preservados devido à falta de conhecimento da população e das autoridades da época.
Até os dias de hoje grande quantidade de material lítico e cacos cerâmicos são encontrados em abundância na cidade, revelando que Cachoeira Dourada possuía uma grande concentração de povos pré-históricos, que habitavam no local ou vinham de passagem em busca de alimentos e de ferramentas. Tudo isso merece uma pesquisa científica para o conhecimento da pré-história da região.
INÍCIO DA COLONIZAÇÃO
Os primeiros homens brancos a pisarem o solo de Cachoeira Dourada de que se tem notícia foram os participantes da bandeira de Antônio Leite, paulista, que partindo do Rio dos Bois, em 1824, contemplou a “Cachoeira dos Dourados”, nome dado pela grande quantidade de peixe “Dourado”, que saltavam pela cachoeira.
Junto da portentosa queda d’água ficaram morando os primeiros posseiros e bravos sertanistas, que conviviam com doenças como a verminose, a maleita e chagas. Com o tempo vieram mais pessoas atraídas pela beleza e feitiço da Cachoeira, pela fartura da pesca e pela aglomeração de turistas, formando assim o primeiro povoado.
Pela escritura datada de 28 de março 1869, lavrada nas notas do escrivão de paz José Cândido da Silva e Souza, de Vila Platina, atual cidade de Ituiutaba, no Livro 03, folhas 64v, José Martins Ferreira e outros doaram uma légua de terras para o Patrimônio de São João Batista de Cachoeira Dourada, no barranco do Rio Paranaíba, na então Província de Minas Gerais, sendo meia légua rio acima, a contar-se da cachoeira, meia légua rio abaixo e meia légua de largura em toda a sua extensão.
Dessa maneira o fazendeiro José Martins Ferreira deu o pontapé inicial para a formação de Cachoeira Dourada, juntamente com outros homens “poderosos”.
A capela de São João Batista só foi construída no ano de 1909, quando o fabriqueiro da freguesia de Vila Platina, Cônego Ângelo Tardio Bruno, vendeu as terras do patrimônio aos irmãos Camilo e Hilarião Rodrigues Chaves.
Os irmãos Chaves, adquiriram as terras com o povoado formado por pouco mais de 10 casas, assim conhecido por “Feijoada” e que já possuía um pequeno cemitério.
Em setembro de 1927, a convite do Senador Camilo Chaves, o então Governador de Minas Gerais Antônio Carlos Ribeiro de Andrada visitou a portentosa queda d’água.
A fazenda dos Chaves, a Baú e Lagoa dos Baús, já com melhorias e expansão da área, foram vendidas, em parte, em 1943. Já em 1944, o fazendeiro e Senador Camila Chaves, transfere o título de suas terras
Os primeiros estudos para o aproveitamento da queda d’água foram procedidos pelo engenheiro Luiz Antônio Souza Leão, conforme relatório apresentado em 1948.
Com a notícia dando conta que a Usina Hidrelétrica seria construída, Cachoeira Dourada passou em 1952, a experimentos e desenvolvimento populacional com a vinda de pessoas de várias regiões do país em busca de trabalho.
Este novo perfil contribuiu para que o povoado de Cachoeira Dourada, pertencente ao Município de Ituiutaba desde seus primórdios fosse elevado em 1953 à categoria de Vila e sendo anexado ao Município de Capinópolis. No mesmo ano o sr. José Ferreira de Menezes Júnior, oficial de farmácia, foi nomeado o primeiro escrivão de paz do antigo povoado.
Em 1954 foi firmado em acordo entre o Governo Federal e a CELG (Centrais Elétricas de Goiás), no qual aquele autorizou esta a construir a primeira etapa da Usina Hidrelétrica de Cachoeira Dourada, com potencial de 37.800 cavalos.
Vencendo a concorrência para obras civis a CECOB (Companhia de Execução e Construção de Obras), com sede no Rio de Janeiro, a obra teve a sua conclusão em 1956.
Com a construção de Brasília sob a direção da CELG, iniciou-se a segunda fase para a ampliação da Usina para 190.000 cavalos, tendo-se encarregado das obras em conclusão as empresas CONVAP Mendes Júnior.
Dado o vulto da obra, não mais seria possível a permanência da Vila, às margens daquela, dentro do canteiro de serviço das obras.
A construção da Usina Hidrelétrica mudou em muitos aspectos a vida da população de Cachoeira Dourada. Pode-se dizer que a cidade tem sua história em dois momentos: pré usina e pós usina, pelo tanto que o empreendimento trouxe uma nova realidade para a cidade.
Assim, em 1962, foi decretada pelo Governo Federal, a desapropriação de toda a área marginal acima e abaixo da queda d’água, pelo Decreto nº 927 de 27 de abril de 1962.
Posteriormente a CELG adquiriu do sr. Florêncio José Ferreira 06 (seis) alqueires no espigão do lado mineiro e ali foi traçada e locada a nova cidade, tendo os moradores e proprietários da antiga vila sendo indenizados e transferidos para o novo traçado.
Em 24 de agosto de 1962, iniciou-se a transferência dos habitantes, com a construção do primeiro barraco. Aproximadamente 100 dias depois, a nova vila contava com mais de 410 edificações, distribuídas em 07 avenidas em 04 ruas.
A Vila de Cachoeira Dourada foi elevada à categoria de cidade, pela Lei nº 2.764 de 30 de dezembro de 1962, sancionada pelo Governador de Minas Gerais José de Magalhães Pinto.
Em pleito realizado a 30 de junho de 1963, foram eleitos os senhores Dr. Camilo Chaves Júnior para prefeito e Cloves Alencar Chaves para vice-prefeito. Para a Câmara Municipal foram eleitos os seguintes vereadores: Afonso do Carmo, Adelino Martins de Paula, Jadir Souza, José Garcia de Araújo, João Clementino da Silva, João Gonçalves de Oliveira, Joaquim Carolino de Souza, Raimundo Martins de Oliveira e como Presidente Deuclides Joaquim Severo. Todos foram empossados no dia 31 de agosto, data que atualmente se comemora o dia da cidade.
A evolução política é a seguinte:
prefeitos:
1º Camilo Chaves Júnior – 1963 – 1964
2º Cloves Alencar Chaves – 1964 – 1966
3º Manoel Carolino de Oliveira – 1967 – 1970
4º João Gonçalves de Oliveira – 1971 – 1972
5º João Afro Dantas – 1973 – 1977
6º João Batista da Silva – 1978 – 1982
7º João Afro Dantas – 1983 – 1988
8º Públio Chaves – 1989 – 1992
9º José Emílio Ambrósio – 1993 – 1996
10º José Euler dos Reis Aquino – 1997 – 2000
11º José Emílio Ambrósio – 2001 – 2004
12º José Emílio Ambrósio – 2005 – 2008
13º Jerônimo Francisco Rufino – 2009
14º Walter Pereira Silva – 2009 .........
A evolução religiosa se deu com as primeiras igrejas cristãs instaladas na Vila. Embora as terras doadas foram para a formação do Patrimônio de São João Batista organizado pela Igreja Católica Apostólica Romana, em 1869, a construção da Capela em honra ao Santo se deu somente em 1909.
Na década de 50 surgiu a primeira igreja protestante na Vila, a Igreja Metodista, pastoreada pelo sr José Ferreira de Menezes Júnior, que também era o primeiro farmacêutico da Vila.
A paróquia de São João Batista, atualmente, não possui um vigário permanente, mas padres vindos de outras paróquias, principalmente da paróquia de Capinópolis vem celebrar as missas semanalmente. O único padre residente foi o frei Paulo Di Féo, italiano e franciscano que atuou como o primeiro padre da paróquia por muitos anos. Faleceu no dia 24 de dezembro de 2010, sendo sepultado com honras eclesiásticas no interior da Paróquia de São João Batista.
Atualmente outras igrejas foram se instalando na cidade como a Igreja Congregação Cristã, Assembléia de Deus, Adventista do 7º Dia.
A cidade de Cachoeira Dourada possui um Centro Espírita.
Localização
O Município de Cachoeira Dourada localiza-se na Região do Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro, ao norte, na divisa com o Estado de Goiás. Está situado na bacia do Rio Paranaíba, onde os principais rios são: Rio Paranaíba, Corguinho, Córrego do Chatão, Córgão, Córrego da Lagoa Seca e Córrego da Escondida.
Faz divisa com os Municípios de Capinópolis e Canápolis (MG) e com o Rio Paranaíba, divisa com Goiás.
Possui uma área de 202,83 km²
Distância dos principais centros (km)
Belo Horizonte: 742
Rio de Janeiro: 1.210
São Paulo: 780
Brasília: 555
Vitória: 1.282
Principais rodovias que servem ao Município:
BR 365 e MG 154
Distância aos municípios limítrofes e mais próximos:
Capinópolis: 20 Km
Ituiutaba: 52 Km
Santa Vitória: 110 Km
Meio Ambiente
A área territorial de Cachoeira Dourada ocupa terrenos planos e suaves, ondulados, com declividades inferiores a 8%, com solos derivados de derrames basálticos como o Latossolo Roxo Álico, horizonte e moderado, textura argilosa, fase floresta subcaducifólia e relevo plano e suave ondulado, ocupando 85 e 15% da área municipal respectivamente.
As altitudes variam entre 415 m, na barragem de Cachoeira Dourada e 580 m nas cabeceiras do Córrego do Barreiro.
O Rio Paranaíba é encaixado em fendas formadas nas rochas basálticas,
A agricultura, no município, é extremamente favorecida pelas condições topográficas e pelas características físicas dos solos, que apresentam textura, estrutura, porosidade e drenagem em excelentes condições para o desenvolvimento de uma agricultura tecnificada. Apesar disso, são solos que necessitam de correção da acidez e neutralização do alumínio tóxico para as plantas, operação rotineira com a aplicação de calcário ou gesso agrícola.
Milho, soja, algodão e arroz lideram a produção agrícola, produtos favorecidas pelas condições climáticas propícias para essas culturas de verão.
São cerca de 1250 a 1300 mm de chuvas totais anuais, em média, concentradas de outubro a março, com excedentes hídricos em torno de 200 mm. O período seco, de maio a setembro, apresenta deficiência hídrica em torno de 180 mm.
As temperaturas médias anuais oscilam em torno de 23,5º C, enquanto a média das máximas situa-se em torno de 29,4º C (outubro) e a média das mínimas em torno de 15,9º C (junho)
Em virtude da elevada acidez dos solos, a vegetação nativa é constituída pelos cerrados. Apesar de agropecuária representar um importante setor da economia municipal, o território de Cachoeira Dourada já está quase que totalmente ocupado, não restando áreas disponíveis para expansão de novas lavouras. Ultimamente a pecuária tem dado lugar à lavoura de cana de açúcar, devido às instalações de Usinas sucroalcooleiras na região.
População
Cachoeira Dourada possui uma população de 2.506 habitantes, segundo o Censo 2010. O gentílico do município é cachoeirense.
O censo registrou uma população de homens de 1.250 e 1.256 mulheres.
A população urbana conta com 2.226 pessoas contra 280 pessoas na zona rural.
População Residente (1970-1980-1991-2000-2010)
|
Anos |
Urbana |
Rural |
Total |
|
1970 |
2.048 |
2.257 |
4.305 |
|
1980 |
1.511 |
835 |
2346 |
|
1991 |
1.728 |
556 |
2.284 |
|
2000 |
1.994 |
312 |
2.306 |
|
2010 |
2.226 |
280 |
2.506 |
O Município de Cachoeira Dourada vem perdendo população total até a década de 90, sofrendo uma ligeira recuperação a partir do ano de 2000. Vemos no gráfico acima que a população urbana aumenta e a rural diminui, configurando o êxodo rural existente em vários municípios do Brasil.
Há na cidade 1001 domicílios particulares, sendo 769 ocupados, 12 fechados, 95 de uso ocasional e 125 domicílios vagos.
O eleitorado da cidade conta com 2.247 eleitores. O produto interno bruto per capita é de 14.580.14 (quatorze mil, quinhentos e oitenta reais e quatorze centavos.
Ensino
No município foram feitas 384 matrículas no Ensino Fundamental em 2009, 85 matrículas no Ensino Médio, tendo 24 docentes para o Ensino Fundamental e 11 docentes para o Ensino Médio.
Saúde
Na cidade existem 06 estabelecimentos de saúde conveniados ao SUS (Sistema Único de Saúde)
Agropecuária
O Censo de 2010 registrou um rebanho efetivo de bovinos com 9.614 cabeças, 100 cabeças de equinos, 45 cabeças de suínos, 50 cabeças de ovinos, 2000 cabeças de rebanho avícola, 580 cabeças de vacas ordenhadas com uma produção de 662 mil litros.
A produção de ovos foi de mil dúzias.
O município registrou uma produção de 40 toneladas de arroz em casca, gerando R$ 16 mil reais, por hectare, em uma área plantada de 16 hectares, tendo um rendimento de 2.500 kilos por hectare.
O milho rendeu R$ 6.902,00 por hectare, numa produção de 18.825 toneladas em 3.450 hectares de plantação.
A soja produziu 23.760 toneladas, rendendo R$ 11.880,00, em uma área plantada de 7200 hectares.
O sorgo produziu 13.840 toneladas, rendendo R$ 3.654,00 em uma área plantada de 4.800 hectares.
Fonte: IBGE
Transporte
O Município conta com um Terminal Rodoviário tendo a empresa “Viação Platina” como servidora da linha Cachoeira Dourada – Uberlândia, passando pelas cidades de Capinópolis, Ituiutaba, Monte Alegre de Minas e Uberlândia, com diversos horários durante o dia.
Atividades Culturais
O Município conta com uma Secretaria Municipal de Educação e Cultura, que é a gestora da Cultura no município. A secretaria conta com um Conservatório Municipal de Música, que oferece aulas de violão, piano, instrumentos de sopro e dança para os jovens e adolescentes da cidade.
A cidade possui um grupo de Catira e um grupo de Folia de Reis. Suas principais festas são o aniversário da cidade comemorado no dia 30 de agosto, a Festa Junina no mês de junho, a Festa dos Santos Reis, comemorada no dia 06 de Janeiro, o Carnaval e a Semana Santa.
Existe na cidade o Conselho Municipal do Patrimônio Cultural, que já promoveu o tombamento da antiga escola de lata, que foi a primeira escola construída no município de Cachoeira Dourada.
Bibliografia:
IBGE – CENSO 2010
CAIAPÔNIA – Camilo Chaves – Editora Egil - 1998
PUBLICAÇÕES: As Publicações do Patrimônio Cultural estão na Página do Patrimônio Cultural